A busca por certos alimentos, nem sempre é fácil.
A mãe de uma amiga pretende confeccionar um bolo tradicional desta época natalícia, ora o bolo leva abóbora Gila. Aqui começa o problema do bolo de chila ou gila (como estiverem mais habituados a chamar).  Em busca da gila, a mãe da minha amiga percorre o mercado de sábado de Loulé e não encontra o que pretende. A minha amiga pergunta-me se consigo encontrar. Porque sabe que tenho pessoas na família ligadas ao campo e que costumam ter diferentes produtos hortícolas. Tentando ajudar telefono à minha mãe. A minha mãe responde-me que este ano, por ter sido muito seco, a aboboreira não vingou; um tio poderá comprar a agricultores de Monchique e talvez um outro tio tenha. Telefonei ao outro tio: este ano não plantou porque no ano anterior tinham sobrado, mais de 60 disse ele, e grande parte estragaram-se. Mas ia arranjar-me duas, que entreguei hoje uma à minha amiga e fiquei com outra para um doce tipicamente algarvio. História com final feliz.

Este acontecimento fez-me reflectir sobre uma questão muito pertinente, a fragilidade de algumas espécies e a s extinção de espécies agro alimentares. Não é só lince, o escalo do Arade  ou a Diabelha do Algarve que estão em extinção. Existe comida a extinguir-se, ler o manifesto da colher para semear. Ora acho que a abóbora gila não está em extinção (até porque como todas as abóboras é uma espécie oriunda do continente americano) só está a ter um mau ano aqui pelos algarves. Este texto é sobre a comida estar cada vez mais padronizada e a dificuldade de encontrar alguns alimentos mais regionais ou de pequena produção. Algumas espécies agroalimentes tornam-se mesmo difíceis de encontrar, porque não entram no sistema de produção de grande escala e os pequenos agricultores nem sempre lhes dão continuidade, porque a idade não lhe permite ou não têm rentabilidade ou vontade.

Caso queiram plantar gila podem encomendar sementes aqui http://ecoaldeiajanas.org/ecoloja/abora-chila/

Links sobre sementes e questões relevantes:

https://colherparasemear.wordpress.com/

A perda da biodiversidade agrícola, em todo o mundo, é da ordem dos 75%,
segundo estudo da FAO em 1984.

http://sementesdeportugal.blogspot.pt/


https://www.rareseeds.com/the-2018-whole-seed-catalog-u-s-canada-and-mexico-/