Fui a Monchique esta manhã, pela primeira vez pós os incêndios recentes. Pelas estradas cortam-se árvores queimadas, repõem-se cabos. Agora o caminho é o da reconstrução. Muito voluntariado e pessoas a retomar o seu rumo.
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É tempo de arregaçar as mangas e agora a ajuda ainda é mais necessária. Economias destroçadas, medos crescentes. Penso com frequência nas maçãs que não comerei este ano. Cada horta familiar perdida é um desaparecimento que não sabemos medir. Provavelmente plantarão espécies de árvores novas mais conhecidas, agricultores ficarão cansados de invistir com frequência contra o fogo, levará o seu tempo.
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Parei pelo caminho para comprar o nosso ‘frasco de piripiri da sra de Monchique`, numa venda quase secreta mas sempre aberta. Entrei, e fiquei como sempre maravilhada com as mil e uma coisinhas expostas no armazém.
Descobri o recado e bati à porta, a senhora aparece e diz: será que é outro reacendimento?
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Ouviu barulho de muitos carros. O medo do incêndio ficou marcado. Digo lhe para tranquilizar não vi nada pelo caminho. Conversamos sobre o susto, o seu piripiri, as coisas que vende. ‘os oregãos que não são regados são mais aromáticos’ e disse uma variação do proverbio conhecido que faz muito sentido:
De pequeno é que se forma o destino.
É este destino no qual queremos ter rédeas e colocar os montes de novo verdes.